Conversamos sobre radiodifusão e inovação com Edson Mackeenzy, head de inovação da SET, diretor de Investimentos na @TheVentureCity, mentor de negócios e um dos mais influentes empreendedores do ecossistema de inovação do Brasil

A magia do rádio

Edson Mackeenzy começou no rádio aos 12 anos em uma emissora comunitária em Bangu (Rio de Janeiro), para fazer rádio teatro, uma performance baseada na voz, sem qualquer componente visual e que dependia do roteiro, diálogo, música e efeitos sonoros para ajudar o ouvinte a “imaginar" os personagens e o roteiro. A interpretação vocal e a sonoplastia são os elementos centrais da rádio dramaturgia.

A magia deste universo conquistou o jovem e, ao sintonizar as ondas curtas no “boteco” dos seus pais na década de 1980, amadureceu a ideia de trabalhar no lado de dentro “daquela caixinha”, onde aprendeu muito sobre os desafios que o dial enfrentava, o que valeu muito para a sua vida profissional.

O jovem radialista aprendeu a lidar com pessoas e percebeu que poderia crescer empreendendo. Passou por várias emissoras e notou que elas necessitavam mais agilidade e qualidade na produção, o que o levou a montar um pequeno estúdio no ano de 2000, focado em vinhetas, spots e pós-comerciais.

A produtora começou a funcionar dentro de sua casa e cresceu realizando muitos trabalhos para emissoras de outras cidades, incluindo para a Internet, em uma época e que as rádios começavam a ver a web como um meio a ser explorado.

Com o tempo, para facilitar a entrega dos trabalhos, a produtora criou um serviço online baseado em FTP (file transfer protocol) para que os clientes pudessem “baixar” o material contratado. A melhoria deste serviço serviria de base para a criação de uma plataforma de vídeos que seria lançada mais tarde, em 2002, e que deu origem ao Videolog.tv. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Videolog.tv)

Sua paixão pelo dial se manteve firme, tanto que hoje é conselheiro e Head de Inovação da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) e curador do Desafio SETup, que percorre o Brasil para reunir startups com grande potencial de revolucionar a indústria da radiodifusão. A edição da SET Expo do ano passado teve um dia inteiro dedicado ao rádio, hoje envolvido em grande parte com o digital e seus desafios. Nesta edição, Edson Mackeenzy participou da mesa avaliadora das startups selecionadas pela organização para apresentarem seus projetos (spitch) para o mercado de radiodifusão.

Edson Mackeenzy lembra que o rádio nasceu para prestar serviço e, com o tempo, adicionou outros modelos de conteúdo para atrair e manter público sintonizado, como entretenimento. “No passado, a velocidade do rádio ninguém batia. A TV levava vantagem apenas pela capacidade de oferecer imagem, com riquezas de detalhes, mas o rádio sempre foi muito mais ágil na entrega da informação. O grande problema de hoje é que não podemos pegar um conteúdo e levar automaticamente para a Internet. É necessário entender o digital e o consumidor online para fazer a coisa certa. O digital é diferente do dial tradicional, assim como é diferente da TV. É outro universo.”

Para ele, é necessário que o radiodifusor entenda como funciona o novo ambiente e não adianta ir para Internet sem pensar nisso. “O Usain Bolt é o mais rápido em seu esporte, mas dentro da água, por exemplo, ele perderia feio para Michael Phelps. O radiodifusor necessita compreender esta diferença quando pensar no digital e tem que pensar em uma ‘retomada do zero’. Muitas emissoras entenderam isso há muito tempo e estão se dando bem. Antes, estas emissoras eram ouvidas, agora são assistidas”, afirma ele.

Edson Mackeenzy reforça que a radiodifusão é um meio de transmissão e não é o fim, assim como a Internet. “Então, é necessário se adaptar. Conhecer, entender, aprender e atuar neste no mundo digital”, afirma ele.

Internet: democratizando os meios de comunicação

Com o surgimento da Internet muita gente ganhou voz para mostrar seu trabalho em um país onde somente os grandes grupos de mídias tinham vez. Entre as décadas de 80, 90 e 2000 restavam apenas as rádios comunitárias e pouco espaço na TV e no Rádio. A Internet mudou tudo e com ela vieram os blogs, os vídeo-blogs, os atuais Youtubers e uma nova geração de comunicadores que se apoiam nos podcasts para levar uma grande variedade de conteúdo exclusivo para públicos variados e que ganham força e maior presença no digital, onde as emissoras de rádios estão começando a ter maior participação. “O Videolog.tv, por exemplo, foi uma das alternativas bacanas que a Internet permitiu”, lembra ele. “Naquela época a gente acreditava que qualquer pessoa poderia ter um canal de comunicação, com pouco investimento. E é isso o que acontece”.

Compartilhando experiências

Com o fechamento do Videolog.tv no final de 2014, Edson Mackeenzie passou a trabalhar como desenvolvedor de negócios, colaborou com o portal e organizadora de eventos e-Commerce Brasil (iMasters), depois com a Code Fellows, passando por Head de Startup Relations da Bossa Nova Investimentos, onde se especializou na área de venture capital até chegar à posição atual como Diretor de Investimento para a América Latina da The Venture City, um novo modelo de investimento e aceleração, com base em Miami com presença global, que apoia startups na escalabilidade de seus negócios..

Possui grande experiência como consultor de gerenciamento e empresarial, desenvolvimento de equipes e de liderança, negociação, estratégia de conteúdo e gerenciamento de programas. É também palestrante e apresentador, o que lhe permite contar suas experiências.

Empreendedor brasileiro está melhor preparado

Diferente de há alguns anos, o empreendedor brasileiro está mais preparado e pronto para os desafios globais, segundo a avaliação de Edson Mackeenzie, o que levou o país a contabilizar 14 unicórnios (empresas avaliadas em US$ 1 bilhão). “Na The Venture City estamos olhando para empreendedores que buscam escalar seus negócios e disponibilizamos todo o nosso time para apoiar a Startup em seus objetivos, ajustando as estratégias às muitas oportunidades”, explica. “O nosso mercado está cada dia mais amadurecido. Nesta pandemia, percebemos muitos negócios crescendo exponencialmente, adaptando suas estratégias e atendendo as demandas dos seus clientes. Hoje, não basta mais ser apenas ‘inovador’: no fim do dia o que importa é ser necessário para o seu cliente”.

O comunicador, empreendedor - e agora investidor - profetiza: "Quem ‘inchou’ teve – ou terá – que cortar a gordura vai acabar murchando, quem cresceu de maneira consistente está tendo menos dificuldade ao passar por este momento. “Em toda crise é assim. Precisamos estar atentos se estamos crescendo ou inchando. Demissões são sempre muito ruins, muitas pessoas farão falta para as empresas mas a essência de uma Startup é ser enxuta. Desta maneira, mesmo com algumas ficando pelo caminho, boa parte do mercado vai continuar evoluindo”.


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